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Textos

Os textos, comentários ou mensagens aqui publicados na integra, muitos a pedido dos autores, não são necessariamente a opinião do administrador e proprietário do site bhdancadesalao.com.br. As publicações obedecem ao propósito de estimular o debate das questões sobre a Dança de Salão e de refletir as diversas tendências do pensamento da comunidade.

Texto: Ossos da profissão

por Elaine Reis (professora de dança de salão e proprietária da academia Pé de Valsa)

Sempre falamos do prazer em dar aula e nos benefícios que este trabalho proporciona.
Muitas pessoas ao saber do nosso ofício enchem a boca para falar que delícia trabalhar dançando, mas neste texto destacarei as dificuldades que enfrentamos como profissionais e infelizmente nem tudo é mar de rosas. Exemplificando o meu prefácio narrarei uma história:
Cavalheiro chega à academia para fazer a sua aula coletiva de dança de salão com a camisa do uniforme da empresa em que trabalha. Camisa amarrotada, causada pelo suor secado ao corpo de um dia intenso de tarefas. Sorriso largo, gentil, educado cumprimentando todas as pessoas, mas com um grave problema que parece imperceptível ao seu nariz: “FEDORENTO”.
Galera é muito difícil abordar uma pessoa sobre este assunto. A tática melhor é falar para todos na hora da aula sobre toques de higiene para que, com muita sorte, o principal ouvinte possa entender o recado.
Mau hálito alcoólico, por problemas estomacais ou por falta de uma boa escovação bucal, traz um certo desconforto a todos.
Pessoas que transpiram muito nas mãos também têm que se prevenir usando uma luva.
Aos alunos que vêm depois do expediente de serviço precisam chegar à escola e fazer um breve asseio.
Já perdi alguns clientes e tenho certeza que não fui à única por intolerância à falta de higiene de alguns colegas de sala. Vamos e convenhamos: é duro de agüentar. Usando as palavras de meu filho, ninguém merece.

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Texto: Dança sem regra

por Elaine Reis (professora e proprietária da Academia Pé de Valsa)

Fui convidada para uma elegante festa de bodas de ouro. Salão nobre de BH, mesas redondas com 10 cadeiras, ornadas por uma toalha negra e um lindo arranjo de orquídeas brancas e ao meu lado sentou um casal da terceira idade.
Ao som da orquestra Anos Dourados, e entre alguns goles de champanhe começamos um papo super agradável e que coloco aqui para uma reflexão.
Ao elogiar a música, o senhor começou dizendo:
Que saudade de um tempo, onde fechávamos os olhos para dançar e o coração disparava ao tocar as mãos de uma dama.
Que saudade das grandes orquestras, dos bailes espalhados em toda a cidade. Encontros de família, avós, pais, filhos e netos em um mesmo ambiente.
Eles não me conheciam e não tinham noção que trabalho com a arte de dançar a dois.
Olhou dentro dos meus olhos e me perguntou:
Você gosta da forma de dançar daqueles dois casais, e apontou com os dedos.
Não consegui abrir a minha boca e ele já respondeu.
Prefiro a dança mais simples, sem muita inovação, gosto de sentir o corpo da minha dama, mas prefiro ficar em um ponto do salão.
Hoje pessoas iguais a mim nem tem coragem de entrar mais nas pistas e ficar ao lado daqueles performáticos.
Essa dança parece ter regras demais, na minha época era tudo mais simples.
E você o que acha?
Gaguejei um pouco para falar, mas expliquei que tudo nesta vida passa por uma evolução e toda evolução tem seus pontos positivos e negativos.
Perguntei a ele se achava que os casais acima citados estavam felizes.
Ele disse que pareciam que estavam dando um leve sorriso.
Mostrei que o importante era isso, e toda a forma de dançar é válida e o belo nos olhos de alguns pode ser feio para outros.

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Texto: Alerta ao cliente da dança de salão

por Elaine Reis (professora de dança de salão e proprietária da Academia Pé de Valsa)

Cada pessoa sabe o que pode investir em sua qualidade de vida. A pesquisa hoje é um ritual normal. Assim, o futuro interessado em fazer aula de dança de salão tem a internet, o catálogo, o anúncio de propaganda de alguma academia ou a indicação de um conhecido.
Visitar a local de ensino, pesquisar preço e a credibilidade do profissional ou da empresa faz parte de todo o processo.
Há muitos anos atrás, já fui professora autônoma, assim tenho plena consciência dos dois lados da moeda. Como tal as minhas despesas eram o pagamento do INSS( isto porque sempre pensei no futuro - aposentadoria), o transporte para chegar aos estabelecimentos em que dava aula, um bom sapato de dança e, na época, fita cassete ou disco vinil.
Hoje ainda ficou mais fácil, pois os profissionais têm a opção de usar I-pod, Mp3 e notebook, lembrando que aqui as pessoas nem estão gastando com compras de CDs, pois tudo está sendo baixado da internet.
Hoje, como empresária de dança de salão, aprendi que o lucro não é apenas multiplicar a quantidade imaginada de alunos pelo valor da mensalidade.
Além desta multiplicação devemos subtrair as seguintes parcelas: Aluguel do estabelecimento (caso não seja um espaço próprio), condomínio, contador, Cemig, telefone, copasa, contribuição obrigatória, patronal (senagic), ecad (direitos autorais para poder tocar as músicas), manutenção material escritório (envelopes, notas fiscais, papel timbrado, cartão de visita, clipes, lápis, borracha,...), manutenção de material de limpeza (papel higiênico, detergente, desinfetante, álcool gel, cera...), taxa e domínio de internet, SATED, TFLF-TFS (taxa de fiscalização, localização e funcionamento, taxa de fiscalização sanitária), taxa de incêndio, TFEP (taxa de fiscalização de engenho de publicidade), investimento com algum tipo de propaganda, salários, 13%, férias, FGTS, transporte, tarifa da conta bancária da pessoa jurídica, GPS, Imposto do Simples nacional, INPI (marcas e patentes), PPRA (Programa prevenção riscos ambientais), extras como conserto do computador e da impressora... Será que me esqueci de alguma? Provavelmente sim!
É lógico que cada profissional possui o seu valor, e cabe a cada um defender isto.
Os alunos, que não querem se vincular às empresas especializadas do ramo e preferem um profissional liberal, poderão exigir um valor da mensalidade bem menor do que a maioria está cobrando por motivos óbvios, não é mesmo? As obrigações são infinitamente menores.
O valor da mensalidade poderá ser menor também nas entidades que oferecem esta arte e que, já recebem 1% do salário dos funcionários da classe de trabalhadores e que possuem ainda ajuda do governo. Assim estas instituições devem ter seu preço bem mais barato que as empresas privadas.
Associações sem fins lucrativos também entram no mesmo caso.
O comprador de serviços tem que ficar atento para saber argumentar com o seu prestador de serviços e defender uma atividade que, com toda certeza, promoverá o seu bem estar e sua qualidade de vida.
 Caso este profissional não tiver consciência da realidade é preferível você optar por uma empresa que é responsável por várias famílias: seus funcionários e dependentes.

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Texto: Aula particular: vantagens e desvantagens

por Elaine Reis (professora e proprietária da Academia Pé de Valsa) e Regina Pessoa

Existem algumas questões muito importantes a serem abordadas acerca da aula particular em dança de salão.
Mas, afinal, o que é isto?
Existem 2 tipos de aula particular: 1) Individual: é quando uma pessoa chega sem par e opta por dançar diretamente com o (a) professor (a). 2) De casal: é quando um par já formado escolhe um profissional para ensiná-los. Normalmente, a pessoa ou o casal fazem aula numa sala separada e escolhem o (s) ritmo (s) que querem aprender dançar.
Normalmente, os clientes escolhem esta modalidade por alguns fatores, dentre eles: necessidade de aprender rápido, desejo de dançar com quem sabe, timidez para enfrentar um grupo, julgamento pessoal de incapacidade motora, falta de paciência com alunos aprendizes em aula coletiva, procura por trabalhos específicos como coreografia para eventos, aula de charme, condução ou ritmo.
Ademais, esta forma de aprendizado é indicada quando um casal ou uma pessoa tem o desejo de fazer aula coletiva e a turma já está mais avançada. Assim, faz-se algumas aulas particulares para alcançar mais ou menos o nível da turma, o que é bom tanto para a pessoa quanto pra turma.
Independentemente do motivo da escolha, é preciso que as pessoas se atentem para alguns problemas da aula particular.
O primeiro deles é a falta de socialização com outras pessoas. Quando um cliente chega a academia e faz apenas aulas particulares, ele acaba não conhecendo ninguém. Quando vai ao baile, mas fica perdido, sozinho, desamparado e, portanto, desmotivado a freqüentá-lo.
Outro problema que enfrenta o aluno particular é a dificuldade de dançar em ronda. E aí coloco principalmente os alunos homens, pois são eles que conduzem as damas.  Acontece também com casais que fazem aula particular. O dançar em ronda fica comprometido, pois em suas aulas o espaço fica todo livre e não existem obstáculos móveis para ter que desviar. Claro, os (as) professores (as) utilizam estratégias para ajudar o (s) aluno (s), como diminuir o espaço e trânsito na dança, colocar cadeiras como obstáculos no meio do salão e/ou servir o (a) próprio (a) professor (a) de obstáculo móvel enquanto o casal estiver dançando. Entretanto, estas estratégias não substituem a prática de dançar em grupo.
Existe também a falsa verdade por parte dos alunos particulares na modalidade individual de que conseguem dançar com qualquer pessoa, incluindo pessoas que não sejam profissionais. A verdade é que é muito mais fácil dançar com professores em comparação a dançar com “pessoas comuns”, ou melhor dizendo, pessoas em processo de aprendizado. Por mais que o professor tente ser o mais neutro possível, ele sabe exatamente os passos e movimentos que o aluno sabe fazer, pois foi ele mesmo quem ensinou.
Apesar destas dificuldades, cada pessoa e/ou casal tem os seus motivos para optar pela aula particular – muitos destes bastante justificáveis.
No entanto, a dica que temos a dar aos alunos é que consigam conciliar a aula de grupo com a particular, e isto pode ser feito de várias formas. 1) Começar com aula particular e migrar para a aula de grupo depois. 2) Fazer o caminho inverso: começar com aula de grupo e depois mudar para aula particular. 3) Fazer aula particular e de grupo ao mesmo tempo.
Cada pessoa faz o seu caminho conforme suas escolhas e seus objetivos!

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Texto: 1,2,3...testando

por Fábio Gomes Paulino

Aristóteles, o filósofo, propôs a existência de cinco sentidos na composição da estrutura sensorial humana, que hoje, é bem conhecida por todos nós: Audição, olfato, paladar, visão e tato.

Cada sentido nos proporciona a um relacionamento com o ambiente criando uma interação com o meio e com os outros seres. Cada sentido está localizado em uma região específica do nosso corpo e está equipado com receptores especializados para a captação dos diversos estímulos que recebemos.

A audição se vale do instrumento da orelha e está orientado para captar os diversos sons e ondas do meio ambiente, assim como o olfato é representado pelas narinas, o paladar pela língua e a visão pelos olhos, ou seja, cada qual com sua característica e posição específica em nosso corpo. Porém é no tato, que embora sempre representando pelas mãos, cabe uma reflexão.

Especificamente neste sentido não há uma área específica para apontarmos com representante do tato: todo nosso corpo é tato. Em todo o corpo humano há mecanorreceptores, subdividos entre si, capazes de perceber os diversos estímulos a serem captados pelo tato, como pressão, frio, calor, distensões.

Assim como nos outros sentidos, para captarmos estímulo temos que entrar em contato com ele, seja ao mirarmos um foco, ouvirmos uma melodia, experimentarmos uma comida ou sentirmos uma fragrância. Para o tato claramente temos que “entrar” em contato, tocar na superfície alheia e deixar que ela nos toque também. No ambiente, para sentirmos frio, nossa pele tem que estar exposta para a umidade nos tocar.

Contato é uma condição “sine qua non” para dançarmos, e dançarmos bem. Tocar o parceiro e se sentir tocado é como o primeiro passo para uma correspondência que deve existir na dança. Embora alguns estilos de dança estejam orientados pelo contato nas pernas, pélvis, peito, todas as danças convergem para que o contato básico, inicial e necessário seja pelas mãos, braços e costas. Estas três regiões são as primeiras a darem e receberem os estímulos que o tato se valerá para interpretar a dança e convergir em emoção e sentimento. O leve toque nas mãos quando do convite para a dança, o abraço, não forte, mas presente, que envolve a dama sem prendê-la em seu espaço, a pressão que as costas fazem num sentido de reação ao toque da palma da mão, os braços que repousam um sobre o outro criando como uma ponte ligando dois corpos.

No meio tecnológico, quando um determinado equipamento perde o sinal ou perde o contato, seu funcionamento altera-se rapidamente. Na dança, quando o sinal emitido pelos parceiros cai ou encontra uma freqüência divergente, imediatamente percebemos que não só as pernas começam a trançar e os pés pisarem um ao outro, a magia e o sorriso se perdem, dando lugar ao incômodo.

O melhor caminho é como nas máquinas: restabelecer contato, porém com o que elas não podem fazer: compartilhar o sentimento e sentir o toque, desenvolver o tato, marcar a presença, sentir a pressão e demonstrar, porque não, a “pegada”.

Texto: Convite: Buenos Dias Amigos Salseiros

por Ricardo Hipólito Garcia

Buenas Amigos.

Segue para todos a primeira (e IMPERDÍVEL) opção da agenda de Salsa do mês! Dia 01/07 - La Noche Cubana com a Banda Sonho de Salsa no Estúdio B - Av. do Contorno, 3849 - São Lucas. A casa abrirá às 21:30, e o Show vai ter início às 22:00. A entrada você faz opção por pagar R$10,00 de couvert ou R$50,00 de consumação. Neste dia haverá gravação de material para produção do DVD do grupo, além de captação das imagens para serem exibidas em um programa da MTV!

Os convidados são recebidos pela Cida, que além da eficiência, é muito simpática e atenciosa. O serviço de bar fica por conta de Pedrão e Natália, que nos raros intervalos que não estão servindo as mesas, observam de camarote os alegres e sensuais passos de dança executados pelos Salseiros de plantão.

A banda é SENSACIONAL e já vale o empenho de sair de casa em plena 5a feira. Tocam entre 10 e 15 músicas, cada uma melhor e mais animada que a outra! Além disto, os amigos e professores presentes sempre elevam o nível do espetáculo, convidando (e ensinando) todas "las chicas" presentes a arte da Salsa, sem contar quando fazem as alegres e exuberantes "Rodas de Casino". O professor Roneis (dono da Espaço Dança) é presença constante, dando show em todas as músicas. Outro dia perguntei para ele se aceitava cartão de crédito, pois o show que deu na pista merecia um prêmio! Quem estava de fora parou de conversar só para assistir. Nesta semana não foi diferente, arrasou! Imagino quando voltar de Cuba, com novos passos e estilos!

Comento também o último show do mês, que ocorreu na 3ª feira, dia 22 de Junho. Alguns praticantes não gastam assento e dão show na pista, mostrando que o 1 2 3, 5 6 7 deve vir de dentro! Tem gente que executa passos e gente que dança! A musicalidade vem da alma! Dentre eles cito Djalma e Sarah (ambos do Ponto da Dança), e Luiz, Beto Zouk e Vânia. Mais show! Parece o Cirque du Soleil. Mês passado estive em Orlando e assisti La Nouba. Toda hora apontava para meu irmão Renato outro evento que ocorria no palco, simultaneamente com a cena principal. Aqui também é difícil saber qual casal observar! Tem hora que parece que as cabeças dos observadores estão presentes em um jogo de tênis, pois mudam de posição constantemente para não perder um lance! De repente Roneis começa a dançar com duas damas! Para tuuuudo! Como assim? É show e arte!

Nesta semana observei muitas caras novas na casa, especialmente de mulheres. Quando a música (mecânica) começou, imaginava se elas saberiam dançar e, além disto, como encontrariam tantos pares. Foi aí que aconteceu o inusitado. Vários professores de uma academia chegaram e as convidaram para dançar. Um show. Realizaram passos de Salsa Cubana com perfeição. Pelo que percebi, esta academia (Exíbela, exibido na camisa dos professores) combinou com seus alunos - no caso alunas - de comparecerem ao evento para colocarem em prática o que aprenderam em aula. Muito simpático (e profissional) por parte deles. Tomara que a prática seja disseminada, pois mostra que estes professores realmente amam o que fazem. Claro que entendo que existem compromissos no dia seguinte, mas, de quando em quando, isto pode ser praticado e somente valoriza a profissão de professor de dança.

No último show, a banda conseguiu se superar: depois de todo o repertório executado, ainda fez um biz em homenagem ao casal de professores Adriana e Rodrigo Delano (Universidade de Dança de Salão) que, trabalhando até tarde – e acabando de acertar os detalhes para o tão esperado 6º BH Zouk - não conseguiu chegar a tempo de assistir a todo o show! Delírio do público, a última música, Guantanamera, tirou todos os presentes das mesas e a pista ficou ainda mais lotada!

Faço idéia no próximo evento, onde tudo vai ser documentado! Minha mesa já está reservada com Eugênia (dona do Estúdio B). Vamos fazer o MÍNIMO e comparecer! Aguardo vocês, meus amigos!
 
Hasta la vista, baby...
Saludos y fuerte abrazo,

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Texto: Netos de profissão

por Elaine Reis (professora de dança de salão e proprietária da Academia Pé de Valsa)

Tive infinitos professores e sou eternamente grata a todos.
Dizem que o primeiro sutiã a gente nunca esquece, mas... Eu esqueci. Parece brincadeira, mas, como tinha problema de crescimento, desejei tanto e demorei tanto para precisar usar que não me lembro do meu primeiro. Em compensação, nunca me esqueci dos meus primeiros professores de dança: Romilton e Chocolate da gafieira Estrela.
O primeiro era também instrutor de auto-escola (inclusive, tirei carteira de habilitação com ele) e o segundo era pedreiro. Pessoas simples que aprenderam a dançar na vida, super simpáticos e carismáticos, com uma condução forte que arrastava qualquer mulher para as pistas de dança. Sem muita explicação dos movimentos, iam dançando e quem tinha facilidade aprendia. E esta era a forma de ensino há vinte poucos anos atrás. Essa é a nossa história e era a forma de ensino de várias décadas passadas...
Acreditem se quiser, mas foi aí que apareceu um visionário que acreditava que aulas particulares poderiam ser substituídas por aula em grupo e que pessoas com dificuldades em apreender poderiam ser seres dançantes se houvesse uma forma didática de ensino.
Fui aluna deste ”cara” e fui assessorada por seus pupilos por mais de dez anos.
Deitada em nossa cama, eu e meu marido, estamos carecas de vê-lo em toda mídia nacional. Não sou puxa saco, mas sou profundamente abençoada por ter tido a chance de aumentar os meus conhecimentos com esta pessoa.
Recordo-me de um fato. Dezenas de pessoas estavam no Rio de Janeiro fazendo um work shop e, no final do curso, resolvemos fazer uma vaquinha e dar um presente para o grande mestre. Com o dinheiro arrecadado, compramos uma camisa de cambraia de linho amarela - o que era bem usado na época. Ao receber, ele ficou completamente emocionado, pois a sua camisa amarela já não existia, uma vez que tinha sido doada a sua companhia de dança. Tudo em favor da arte!
A coragem faz parte deste ser que há mais de quinze anos atrás teve a ousadia de fazer o primeiro congresso internacional de dança, trazendo diversos professores do exterior e apresentou ao Brasil o que era Ballroom Dancing. Fiquei sabendo que, apesar de todo o trabalho que este evento necessitou, o retorno financeiro foi quase nulo, para falar a verdade acho que o “guru” teve que tirar dinheiro de seu próprio bolso para cobrir todas as despesas. Em compensação, mais uma vez foi o precursor de toda uma história de dança no Brasil.
Quem não entendeu o título, tem toda razão.
Hoje gostaria de dizer a este homem, como filha de seus ensinamentos, que ele já possui alguns netos de profissão, talvez em outras localidades até bisnetos.
Obrigada JAIME ARÔXA!

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Respeito e desrespeito

por Elaine Reis (professora de dança de salão e proprietária da Academia Pé de Valsa)

Realmente é um paradoxo como somos amados e desprezados ao mesmo tempo.
Para explicar minha afirmação, vamos aos fatos.
Fizemos um baile para comemorar o aniversário do nosso professor Leonardo, dono da escola.
Baile animado, com apresentações, surpresa para os convidados com os meninos da barragem Santa Lúcia executando dança de rua, bolo molhadinho de coco com abacaxi, pista lotada o tempo inteiro.
O professor aniversariante aclamado pelos alunos não tinha mãos para segurar tantos presentes, seu filho de quinze anos carregava o bolo e o sorriso contagiante da galera, pois a vela insistia em ficar apagada. Muito amor verdadeiro sem falsidade, a gente sentia esta energia boa no ar.
O baile foi realmente iluminado, astral este resultado de muita dedicação e respeito pelo ser humano.
Momentos assim nos fazem sentir respeitado e com muito orgulho de fazer parte da cultura e arte desta cidade.
Como tudo tem dois lados, vamos ao outro lado da moeda.
Dia internacional da dança, a academia foi convidada através dos professores Demétrius e Kelly para participar de uma comemoração na praça da assembléia a favor deste dia e desta causa.
O evento foi comandado pelo brilhante bailarino Rui Moreira, que fazia de tudo para chamar o pequeno e quase inexistente público que passava na praça. Sempre preocupado em divulgar a escola e os dançarinos participantes, além de enfatizar, é claro, os benefícios e a história da dança para as pessoas.
Outras escolas de dança de salão também foram convidadas e, ao se apresentarem, fui possuída por um sentimento de tristeza avassaladora.
Todos sem exceção dançaram em um chão de cimento, piso este que impossibilitava a execução perfeita de vários movimentos e, para aumentar o meu espanto, no meio das apresentações entrou na praça um caminhão gigantesco que desviava a atenção do mínimo público existente.
O renomado dançarino avisava que a praça seria dividida também com a manifestação dos professores em greve.
Meu mundo caiu, percebi que, dentre aquele minúsculo público, a maioria era de professores insatisfeitos como a educação deste país é tratada.
A minha vontade era de me juntar aos professores e começar a gritar (senão berrar!) como a cultura enfrenta os mesmos problemas.
Enfim, no outro dia, abrindo um jornal de grande circulação do qual sou assinante, vejo uma pequena matéria falando do evento da dança.
É muito fácil criticar e não dar uma solução para o problema. O meu sentimento é de profunda impotência.
Por várias vezes participei e continuarei participando de eventos como este, mas acho que temos que reivindicar aos órgãos públicos e principalmente da mídia local um apoio maior.
O artista tem que ir aonde o povo está, não é mesmo? Assim, precisamos conseguir por parte dos meios de comunicação a divulgação destes eventos de forma antecipada. Caso contrário, é um esforço sem alcançar nenhum objetivo real. E... ninguém vive de brisa.

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Texto: Dores da profissão

por Elaine Reis (professora e proprietária da Academia Pé de Valsa)

Este ano de 2010 completo 41 (quarenta e um) anos, 23 (vinte e três) dentre estes dedicados ao ensino da dança de salão. Sinto-me na responsabilidade de orientar por experiência própria os novos professores a se prevenirem para não ter futuros sofrimentos que impedirão o bom andamento de sua profissão.
Aqui em casa, como somos um casal que vive de dança de salão, tenho consciência das seqüelas adquiridas da rotina de nosso ofício em comum.
Quando jovens, achávamos que nada aconteceria conosco, em termos de desgastes físicos. Ensaios e aulas, quando executados sem nenhum tipo de aquecimento e/ou alongamento, provocam pequenas lesões. E, acreditem se quiser, a cada dia fica mais crônico.
Assim, ressalto a importância para as pessoas que trabalham com dança de sempre estarem fazendo uma atividade que fortaleça suas articulações e músculos, principalmente aqueles que já foram lesionados.
Devido a antigas quedas na hora de ensaio e uso diário de sapato de salto alto, comecei a ter joanete e uma dor debaixo do dedão do pé. Há cinco anos, fui obrigada a diminuir o salto para dar aulas e, no meu dia-a-dia, passei a usar sapatilhas e rasteirinhas... Que tristeza para quem adora um salto alto!
Sempre dei muita aula particular e cavalheiro iniciante ainda não sabe direito a energia correta de como segurar a mão direita da dama, este processo de apertar por muitos anos me fez ter dores horríveis perto do dedinho direito.
Sou obrigada a chegar antes e fazer movimentos de aquecimento para os pés e mãos. Confidencio a vocês, caros leitores, que muitas vezes fico com preguiça e deixo de fazer.
Não se esqueçam do cuidado com a voz! Tomar água direto, comer maçã, atrair os alunos através de palmas e evitar falar junto da música é fundamental para não agredir uma parte de você que é fundamental para o seu rendimento profissional.
Para dar aula, o impacto e o desgaste do corpo é bem menor em relação ao ensaio de apresentações e espetáculos. O impacto para o corpo neste último caso é muito grande!
 Hoje em dia, com a minha idade, não posso dar ao luxo de desgastar com shows e não ter condições físicas de dar aula. Preciso ter um corpo saudável para realmente fazer o que me sustenta.
Sou privilegiada, pois hoje posso escolher. Estou me dando o direito de só aceitar casais para dar aula particular e nas aulas coletivas já possuo os meus truques.
Hoje me pergunto até quando darei aula e, para falar a verdade, não gosto deste assunto. Afinal, como uma pessoa pode viver sem ar? Sinceramente, a dança para mim é força da minha existência!
Cuidem-se.

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Texto: Turmas Antigas

por Elaine Reis (professora de dança e proprietária da Academia Pé de Valsa)

Qual professor que trabalha com a aula coletiva nunca sentiu um aperto no coração (e no bolso) quando uma turma que está há bastante tempo fazendo aula começa a desmoronar?
O problema de alguns é transmitido a todos como uma grande epidemia e, no final, só fica alguns alunos.
Depois da perda, vem a pior parte: como fazer com os alunos que ficaram e são fiéis a você?
Questão sem solução!
Infelizmente, não podemos colocar alunos iniciantes, pois o rendimento da turma não apenas cai, mas despenca.
Aparentemente, parece uma boa solução a junção de turmas, mas é muito raro conseguir adaptar o horário dos clientes que há tempos já estão acostumados com um determinado horário.
Bem dizia o meu grande mestre: o sucesso de uma academia está na quantidade de turmas de iniciantes.
Assim, deixo aqui o meu pedido de desculpas a todos os (as) alunos (as) que ficaram sem horário. Entendo a decepção destas pessoas e, acreditem, para nós profissionais esta situação é muito triste...
Hoje em dia, às vezes encontro alunos que tenho a maior saudade e que desistiram de fazer aula por não se sentirem satisfeitos com a adaptação em novas turmas.
Nestes casos, não adianta oferecer aula particular, pois a integração com o grupo é mais importante que a técnica.
Sei que nestas horas muitos procuram uma academia concorrente, mas a verdade é nua e crua: para todos e, em algum momento, a mesma realidade acontecerá em outro endereço.

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